terça-feira, 12 de agosto de 2008
Nota
terça-feira, 5 de agosto de 2008
A Alucinação de Belchior
Belchior é um compositor muito regravado e muitas de suas canções são mais conhecidas na voz de outros artistas. O primeiro contato que tive com a música dele foi na excelente interpretação de Elis Regina em Como Nossos Pais. Logo depois, ouvi a versão que a banda Los Hermanos fez para A Palo Seco. Essas duas canções fazem parte de um álbum que mais tarde fui adquirir, chamado Alucinação, lançado em 1976.

Clique aqui e assista a banda Los Hermanos Cantando A Palo Seco ao lado de Belchior no programa Altas Horas. Vale a pena, é bem legal.
Fui!
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Vitória Bossa Nova
Para quem não sabe, o Espírito Santo é um lugar especial para a Bossa Nova. Dois grandes nomes saíram daqui para fazer sucesso entre os principais artistas no Rio de Janeiro. Nara Leão, nascida em Cachoeiro do Itapemirim, grande intérprete e musa do movimento e Roberto Menescal, nascido aqui em Vitória, um dos principais compositores. Além disso, a capital capixaba era freqüentada por muitos artistas bossanovistas. Vinícius de Moraes, principal letrista da Bossa, já esteve por aqui passando alguns dias. A cantora Maysa chegou a morar aqui por alguns anos e João Gilberto, aquele que para mim é a Bossa Nova, passou 20 dias em lua-de-mel aqui em Vitória com a sua primeira esposa, Astrud Evangelina Weinert, que mais tarde gravou dois discos excelentes com João em parceria com o jazzista americano Stan Getz. Passados esses anos, a Bossa Nova ganhou uma homenagem aqui do estado.
Os shows de João Donato e Roberto Menescal foram, de uma maneira geral, bons. Alguns fatos lamentáveis marcaram um pouco as apresentações, começando pela precariedade do som. Muitos ruídos e microfonias atrapalharam aqueles que gostam de prestar atenção em toda a beleza sonora do show, mas, pior que isso, era a conversa entre o público, que se ouvia melhor e com mais intensidade do que os próprios artistas no palco. Fato muito incômodo para quem foi ao local para assistir ao show e até prejudica a cidade para outras possíveis apresentações de outros artistas. Mesmo assim eu gostei de estar lá, não poderia perder de forma alguma a oportunidade de assisti-los, de ouvir mais uma vez a boa música brasileira.
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Banda Larga Cordel

Após essa época de sufoco na faculdade, enfim, o bloqueio mental acabou e estou aqui de volta.
Nesta semana chegou às lojas o novo álbum do Gilberto Gil, o Banda Larga Cordel. Depois de 11 anos sem lançar algo inédito, desde o álbum Quanta (1997), Gil se movimentou, e já estava mais do que na hora de mostrar algo novo para nós, fãs de sua música. Ainda não adquiri o CD, mas, graças à internet, já tive a oportunidade de ouvir e, sinceramente, gostei do que ouvi.
Os fãs já acostumados com a musicalidade do Gil, totalmente exacerbada, típico de sua veia tropicalista, não acharão nada de diferente neste álbum, que segue bem o estilo que ele veio apresentando em seus últimos álbuns, no caso, uma mistura de Reggae, encontrada no álbum Kaya N’Gan Daya (2002), disco de covers de Bob Marley, e uma sonoridade em um estilo nordestino, forró, xote, apresentadas nos álbuns São João Vivo (2001) e Gilberto Gil e as Canções de Eu, Tu, Eles (2000). Este último, disco de versões que ele fez para a trilha sonora do filme Eu, Tu, Eles (2000). O Gil disse que algumas canções têm um tema poético popular, nordestino, um estilo que se relaciona diretamente com a poesia de cordel. Além de alguns sambas, o álbum tem recursos eletrônicos também presentes, já que a expressão Banda Larga remete a tecnologia.
O disco contém 16 faixas e ressalto algumas aqui. A primeira do disco é intitulada Despedida de Solteira. A música é um xote, uma letra que, segundo Gil, é bem maliciosa. Uma história divertida que fala de uma mulher que casa com outra mulher. A segunda, Os Pais, tem uma sonoridade mais pop/rock, e um tema que fala de regras, repressão e liberdades. Não Grude Não é a terceira música do disco e é um forró que ele fez para o filme O Homem que Desafiou o Diabo, do diretor Moacyr Gomes.
O disco segue com dois sambas, duas regravações. A primeira é Formosa, uma das parcerias de Vinícius de Moraes com o grande violonista Baden Powell. A segunda é uma nova roupagem para a faixa Samba de Los Angeles, feita pelo próprio Gilberto Gil, mas já gravada por ele no disco Nightingale, em 1979. Tem a faixa La Renaissance Africaine, com um ritmo mais eletrônico, uma letra em francês. Música feita por encomenda para o festival de artes negras que acontecerá em 2009 na África do Sul. A bela poesia de Olho Mágico, sétima faixa, mostra que Gil ainda não perdeu aquele jeito de brincar com as palavras.
Outra música que eu gosto muito é Minha Gueixa no Tatame. Um samba animado que tem o mesmo arranjo melódico da música Minha Nega na Janela, do disco Antologia Samba-Choro (1978), parceria de Gil com Germano Mathias. Máquina de Ritmo, décima quarta do disco, é um das favoritas. A primeira vez que ouvi foi no DVD Outros Bárbaros, versão mais atual dos saudosos Doces Bárbaros, composto por Caetano, Gil, Gal e Bethânia. É um samba onde Gil fala da oposição das pessoas contra a máquina de ritmo, aparelho usado por alguns músicos, e faz uma argumentação a favor dos progressos da música, mostrando mais uma vez a sua veia tropicalista.
E, para terminar, a faixa título do álbum, Banda Larga Cordel. Gil define como a mais politizada do disco, onde ele faz uma apologia às tecnologias, uma mistura entre poesia e política.
Logicamente, a melhor forma de comprovar tudo isso que falei é escutando o Banda Larga Cordel. Pela WEB existem vários sites que disponibilizam os links para Dowload. Clique aqui e ouça na íntegra as faixas do disco no site do Gilberto Gil.
Este outro link vai para o site do disco. Lá contém mais informações sobre ele, além de vídeos da turnê, entrevistas e fotos. Vale a pena conferir.
terça-feira, 24 de junho de 2008
Nota
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Francis e Antônio

É lógico que não pode ser menos que extraordinário. Basta olhar o talento e a história desses dois ícones da música que você não terá dúvidas. E este encontro aconteceu. Depois do enorme sucesso que a Bossa Nova fez no decorrer dos anos 60, inclusive tomando conta da terra do Tio Sam, Tom Jobim começou a ter projeção entre os principais músicos da época. É claro, o maestro da nossa música popular merecia todo o reconhecimento. Basta ouvir e perceber a enorme riqueza musical em suas composições. Melodias impressionantes com harmonias que vão muito além dos acordes dissonantes. Mas, deixando o papo de músico pra lá. Diz a história que Tom estava num bar em Ipanema, o mesmo bar que ele e Vinícius costumavam observar aquela famosa garota que passavam linda e cheia de graça a caminho do mar, quando derrepente o telefone tocou, e era uma ligação para Tom. Do outro lado da linha ninguém mais do que Frank Sinatra, o chamado “The Voice” - perfeito apelido, dizia a Tom que queria gravar um disco com canções feitas pelo próprio Antônio Brasileiro. A resposta de Tom Jobim foi imediata. Logicamente, não havia de recusar tal convite. O encontro entre os dois rendeu um disco, chamado de Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim, lançado em 1967. O disco traz dez canções, sendo que sete são de Tom Jobim. As interpretações de Sinatra ficaram excelentes, logicamente, e apesar da presença dele, você vê a Bossa Nova presente no disco. E não teria que ser diferente. As músicas foram passadas para o idioma norte americano. O clássico The Girl From Ipanema (Garota de Ipanema), composição de Tom e Vinícius, teve a letra reescrita por Norman Gimbel e foi lançada no disco Getz/Gilberto, interpretada inicialmente por Astrud Gilberto e João Gilberto em 1963. Corcovado virou Quiet Night of Quiet Stars, a música Inútil Paisagem virou If You Never Come to Me e a música Insensatez virou How Insensitive. De todas as músicas, a minha favorita é a belíssima Dindi. Não tenho como explicar aqui a beleza dessa música, e até me arrisco a dizer que prefiro a versão em inglês. Heresias à parte, durante a gravação do disco músicas além das que foram lançadas no álbum de 67 foram gravadas. Com exemplo dos Clássicos Off Key (Desafinado), Drinking Water (Água de Beber), One Note Samba (Samba de Uma Nota Só), Triste, Wave e outras mais. Em 1979 saiu aqui no Brasil uma edição especial com todas as gravações, inclusive mais duas que nunca saíram em discos anteriores. São as faixas Bonita, escrita por Jobim, e Sabiá, parceria de Chico Buarque e Tom Jobim que ganhou o Festival Internacional da Canção (FIC), em 1968.
Esse encontro rendeu uma participação em um programa no horário nobre da televisão dos EUA, que segundo a lenda, não houve ensaio para a apresentação. Graças a WEB, é possível assistir esse momento. Frank Sinatra e Tom Jobim cantando The Girl From Ipanema. Tom com seu jeitinho brasileiro, sentado no banquinho com seu violão e sua perna cruzada. Reparem bem na maneira como Sinatra interpreta a canção, olhando a letra escrita no chão do estúdio, com o seu cigarrinho na mão e seu jeito inconfundível de cantar.
sexta-feira, 16 de maio de 2008
It's Only Rock 'N' Roll (But I Like It)
Minha relação com eles não foi uma coisa instantânea, como aconteceu com outras bandas e outros artistas. Eu demorei pra gostar de Stones. Lembro que eu era mais moleque e com aquela curiosidade de sempre comprei o até então recém lançado Forty Licks, álbum duplo que traz os principais sucessos da banda. Eu não gostei de muita coisa. Aquilo ainda era muito novo para mim, ou eu era muito novo para aquilo. Sei lá. Eu esperava mais. Também foi a mesma época em que comecei a ouvir Beatles. O fascínio por John, Paul, George e Ringo foi muito maior. Eu não me atrevia a conhecer além dos grandes clássicos. Mas as coisas mudaram e a minha vontade de ouvir coisas novas foi aumentando. Até que eu tomei a iniciativa e comecei a explorar a obra dos Rolling Stones. Foi quando eu descobri um álbum chamado Exile On Main Street.

Eu pirei nesse disco, que hoje considero um dos maiores da história do rock. Lançado em 1972 ele sucedeu dois discos que eu também gosto muito, o Let It Bleed e o Sticky Fingers. Dizem que foi gravado na época em que os Stones estavam na maior fase de consumo de drogas de toda a carreira. Talvez isso tenha contribuído e muito para o resultado final. Lendas a parte, o álbum traz 18 faixas. As duas primeiras já demonstram o mais puro Rock ‘N’ Roll. São músicas com a cara dos Stones. Rock cru e enérgico. O “oh yeah” dito por Mick Jagger na introdução de Rocks Off, acompanhando o riff de Keith Richards, já te deixa no clima, que com a faixa seguinte, Rip This Joint, vai aumentando. A quinta faixa, Tumbling Dice, é um dos hits do disco e traz uma atmosfera legal, que se confirma ainda mais na faixa posterior. A sexta música, Sweet Virginia, é uma das minhas favoritas. Tem um refrão forte, cantado em coro, e quando se junta a sua voz faz com que você se sinta parte da música. Sweet Virginia abre a seqüência acústica do Exile, que também conta com as faixas Torn And Frayed e Sweet Black Angel. A nona faixa é Loving Cup. Ótima balada. Ficou perfeita com a participação do Jack White, da banda White Stripes, no recém lançado filme The Rolling Stones – Shine a Light. A faixa 10, Happy, traz Keith Richards no vocal. Além dessas músicas eu destaco Ventilator Blues, com seu riff muito louco, Stop Breaking Down, do Bluesman Robert Jhonson e, logicamente, Shine a Light com seu clima gospel e que tem nos teclados a participação de Billy Preston, grande múscico que participou de álbuns como o Abbey Road e o White Album dos Beatles, o Sticky Fingers e álbuns posteriores dos Stones. Shine a Light é um dos clássicos do disco.
Exile On Main Street me fez virar um grande fã dos Stones e, além disso, me fez entender porque algumas pessoas dizem que são a maior banda de rock de todos os tempos. Não sei se concordo com essa afirmação. Eu continuo gostando mais de Beatles, mas se tenho que apontar uma banda que traduza melhor a combinação sexo, drogas e Rock ‘N’ Roll, não há dúvida. Essa banda é Rolling Stones.

