terça-feira, 16 de setembro de 2008

Baden

Primeiramente, peço desculpas aos leitores do Ouvido Absoluto, por estar ausente por algum tempo. O cidadão aqui agora é trabalhador e, infelizmente, não tenho mais tanto tempo para me dedicar ao blog. Prometo me esforçar mais.
É com muita responsabilidade que escrevo aqui sobre este músico, que, incontestavelmente, foi um dos melhores que a música brasileira já conheceu. Baden Powell é sinônimo de violão. Aliás, ele mais do que isso. Baden Powell é um violão. Ele mesmo disse que o instrumento era a extensão do braço dele. Há como duvidar?
Baden também era um grande compositor, e teve como grande parceiro o poeta Vinícius de Moraes. Parceria que rendeu ótimas composições como Berimbau, Samba da Benção, Formosa e tantas outras. O disco Os Afro-sambas – Baden & Vinícius, de 1966, é clássico da MPB.

Tempos atrás fiz o download de um álbum excelente, que mostra o grande mestre do violão brasileiro ao vivo, com uma performance que te deixa sem ar, em meios a tantos dedilhados. Trata-se do álbum Ao Vivo no Teatro Santa Rosa, também de 1966.


A forma como Baden toca, chega a confundir a cabeça daqueles que tentam entender o que é seu violão. A interpretação de O Astronauta, outra parceria com Vinícius, é sensacional, uma das melhores do disco. Sem falar na quinta faixa, Berimbau, intensa e veloz, que deixa a impressão que Banden Powell tem mais que cinco dedos em uma mão – eu não duvido.
É um disco que já faz parte da minha listinha de mais ouvidos e através dele, resolvi conhecer profundamente a obra deste grande violonista.

Só pra ressaltar, tive a oportunidade de assistir – boquiaberto - a apresentação de Marcel Powell, filho de Baden, no Circuito de Jazz da Estação Porto. O que posso dizer é que o sobrenome que Marcel carrega, faz jus a toda a sua habilidade no violão. Ele realmente é “filho do cara”.Clique AQUI para fazer o download do disco Ao Vivo no Teatro em Santa Rosa. No blog Um que tenha, você também pode baixar tantos outros disco do mestre.


terça-feira, 12 de agosto de 2008

Nota

Uma coisa que esqueci de comentar anteriormente. Não sei se perceberam, mas eu mudei o nome do blog para Ouvido Absoluto. Acho que esse nome tem mais a ver com a minha proposta aqui, que é fazer as minhas análises e recomendações musicais, e para isso o ouvido é algo absolutamente indispensável, logicamente. Além disso, o outro nome, Renan Bono, era um tanto quanto vago. Portanto, não se assuste, pessoa, você não está no blog errado - talvez esteja.


Outra observação: aquelas pessoas que sempre passam pelo blog e nunca comentam - apenas pessoalmente. Por favor, continue visitando, porém, deixe seu recado, seja elogiando, criticando, dizendo para eu desistir ou qualquer outra coisa. Não se envergonhe. Sua opinião é deveras importante.


É isso.


até...

terça-feira, 5 de agosto de 2008

A Alucinação de Belchior

Para mim, é mais um grande compositor que - infelizmente - não tem o reconhecimento que merece, principalmente por causa de sua voz um pouco limitada, mas que se encaixa muito bem em suas próprias músicas. Reconheço que, musicalmente, Belchior não é aquele grande criador, com harmonias e melodias medianas, mas o grande barato dele é o conteúdo lírico. Lembro de um professor de literatura que tive, apontar algumas semelhanças entre ele e Bob Dylan, sem comparações, logicamente. O estilo trovador, a poesia cortante, de fato, lembra o grande poeta norte americano.

Belchior é um compositor muito regravado e muitas de suas canções são mais conhecidas na voz de outros artistas. O primeiro contato que tive com a música dele foi na excelente interpretação de Elis Regina em Como Nossos Pais. Logo depois, ouvi a versão que a banda Los Hermanos fez para A Palo Seco. Essas duas canções fazem parte de um álbum que mais tarde fui adquirir, chamado Alucinação, lançado em 1976.


Gosto muito do álbum, talvez seja o mais conhecido e o favorito entre aquelas pessoas que apreciam a música de Belchior. Alucinação foi o disco que consolidou sua carreira. Outros grandes clássicos fazem parte do álbum, como Apenas um Rapaz Latino Americano, Velha Roupa Colorida e a faixa que intitula o álbum, Alucinação. Para quem não conhece Belchior, eis o disco que mostra perfeitamente o grande compositor que ele é.

Clique aqui e assista a banda Los Hermanos Cantando A Palo Seco ao lado de Belchior no programa Altas Horas. Vale a pena, é bem legal.



Fui!

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Vitória Bossa Nova

Ontem (quarta-feira) terminou o festival Vitória Bossa Nova, homenagem capixaba aos 50 anos de Bossa Nova. O evento contou com dois participantes do movimento: João Donato tocou na segunda-feira e Roberto Menescal encerrou as apresentações ontem.

Para quem não sabe, o Espírito Santo é um lugar especial para a Bossa Nova. Dois grandes nomes saíram daqui para fazer sucesso entre os principais artistas no Rio de Janeiro. Nara Leão, nascida em Cachoeiro do Itapemirim, grande intérprete e musa do movimento e Roberto Menescal, nascido aqui em Vitória, um dos principais compositores. Além disso, a capital capixaba era freqüentada por muitos artistas bossanovistas. Vinícius de Moraes, principal letrista da Bossa, já esteve por aqui passando alguns dias. A cantora Maysa chegou a morar aqui por alguns anos e João Gilberto, aquele que para mim é a Bossa Nova, passou 20 dias em lua-de-mel aqui em Vitória com a sua primeira esposa, Astrud Evangelina Weinert, que mais tarde gravou dois discos excelentes com João em parceria com o jazzista americano Stan Getz. Passados esses anos, a Bossa Nova ganhou uma homenagem aqui do estado.

Os shows de João Donato e Roberto Menescal foram, de uma maneira geral, bons. Alguns fatos lamentáveis marcaram um pouco as apresentações, começando pela precariedade do som. Muitos ruídos e microfonias atrapalharam aqueles que gostam de prestar atenção em toda a beleza sonora do show, mas, pior que isso, era a conversa entre o público, que se ouvia melhor e com mais intensidade do que os próprios artistas no palco. Fato muito incômodo para quem foi ao local para assistir ao show e até prejudica a cidade para outras possíveis apresentações de outros artistas. Mesmo assim eu gostei de estar lá, não poderia perder de forma alguma a oportunidade de assisti-los, de ouvir mais uma vez a boa música brasileira.

João Donato Apresentou-se com sua banda e o show foi o mais afetado pelos problemas que eu citei acima, e pelo fato de ser um show mais instrumental, não teve muita repercussão do público. Já o show do Menescal foi um pouco mais tranqüilo, onde ele cantou composições mais populares, algumas próprias que foram sucesso na Bossa Nova como O Barquinho e Você. Além disso, cantou outros sucessos como Meditação, Samba de Verão (Summer Samba) e o clássico Chega de Saudade. Isso fez o show um pouco mais agradável ao público. Roberto Menescal se apresentou com a Cantora Wanda Sá. A música local também esteve presente. Afonso Abreu Trio fizeram uma excelente apresentação como abertura do show de João Donato. As cantoras Eliane Gonzaga e Andréia Ramos, acompanhadas de grandes músicos, dentre eles o baixista Ney Conceição e o pianista Pedro Alcântara, abriram o show do Menescal e Wanda Sá.

Só espero que eventos como esses não deixem de acontecer por aqui. Será que teremos que esperar mais 50 anos para poder presenciar mais homenagens e mais shows de Bossa Nova?


quinta-feira, 10 de julho de 2008

Banda Larga Cordel



Após essa época de sufoco na faculdade, enfim, o bloqueio mental acabou e estou aqui de volta.

Nesta semana chegou às lojas o novo álbum do Gilberto Gil, o Banda Larga Cordel. Depois de 11 anos sem lançar algo inédito, desde o álbum Quanta (1997), Gil se movimentou, e já estava mais do que na hora de mostrar algo novo para nós, fãs de sua música. Ainda não adquiri o CD, mas, graças à internet, já tive a oportunidade de ouvir e, sinceramente, gostei do que ouvi.

Os fãs já acostumados com a musicalidade do Gil, totalmente exacerbada, típico de sua veia tropicalista, não acharão nada de diferente neste álbum, que segue bem o estilo que ele veio apresentando em seus últimos álbuns, no caso, uma mistura de Reggae, encontrada no álbum Kaya N’Gan Daya (2002), disco de covers de Bob Marley, e uma sonoridade em um estilo nordestino, forró, xote, apresentadas nos álbuns São João Vivo (2001) e Gilberto Gil e as Canções de Eu, Tu, Eles (2000). Este último, disco de versões que ele fez para a trilha sonora do filme Eu, Tu, Eles (2000). O Gil disse que algumas canções têm um tema poético popular, nordestino, um estilo que se relaciona diretamente com a poesia de cordel. Além de alguns sambas, o álbum tem recursos eletrônicos também presentes, já que a expressão Banda Larga remete a tecnologia.

O disco contém 16 faixas e ressalto algumas aqui. A primeira do disco é intitulada Despedida de Solteira. A música é um xote, uma letra que, segundo Gil, é bem maliciosa. Uma história divertida que fala de uma mulher que casa com outra mulher. A segunda, Os Pais, tem uma sonoridade mais pop/rock, e um tema que fala de regras, repressão e liberdades. Não Grude Não é a terceira música do disco e é um forró que ele fez para o filme O Homem que Desafiou o Diabo, do diretor Moacyr Gomes.

O disco segue com dois sambas, duas regravações. A primeira é Formosa, uma das parcerias de Vinícius de Moraes com o grande violonista Baden Powell. A segunda é uma nova roupagem para a faixa Samba de Los Angeles, feita pelo próprio Gilberto Gil, mas já gravada por ele no disco Nightingale, em 1979. Tem a faixa La Renaissance Africaine, com um ritmo mais eletrônico, uma letra em francês. Música feita por encomenda para o festival de artes negras que acontecerá em 2009 na África do Sul. A bela poesia de Olho Mágico, sétima faixa, mostra que Gil ainda não perdeu aquele jeito de brincar com as palavras.

Outra música que eu gosto muito é Minha Gueixa no Tatame. Um samba animado que tem o mesmo arranjo melódico da música Minha Nega na Janela, do disco Antologia Samba-Choro (1978), parceria de Gil com Germano Mathias. Máquina de Ritmo, décima quarta do disco, é um das favoritas. A primeira vez que ouvi foi no DVD Outros Bárbaros, versão mais atual dos saudosos Doces Bárbaros, composto por Caetano, Gil, Gal e Bethânia. É um samba onde Gil fala da oposição das pessoas contra a máquina de ritmo, aparelho usado por alguns músicos, e faz uma argumentação a favor dos progressos da música, mostrando mais uma vez a sua veia tropicalista.

E, para terminar, a faixa título do álbum, Banda Larga Cordel. Gil define como a mais politizada do disco, onde ele faz uma apologia às tecnologias, uma mistura entre poesia e política.

Logicamente, a melhor forma de comprovar tudo isso que falei é escutando o Banda Larga Cordel. Pela WEB existem vários sites que disponibilizam os links para Dowload. Clique aqui e ouça na íntegra as faixas do disco no site do Gilberto Gil.

Este outro link vai para o site do disco. Lá contém mais informações sobre ele, além de vídeos da turnê, entrevistas e fotos. Vale a pena conferir.


Fui.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Nota

Aos poucos leitores desse Blog.
Não, eu não esqueci isso aqui. O que acontece é que o final de período tá matando. Matérias e matérias pra entregar, trabalhos para apresentar, sem falar na pressão que é correr atrás de notas perdidas pelo período. Além disso, meu time está prestes a disputar uma final de libertadores da América, não há como se concentrar. Não consigo ler nada, escrever nada, ouvir nada e por isso não posto aqui. Brevemente estarei de volta.
Paciência...

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Francis e Antônio



Falar de Frank Sinatra e Tom Jobim pode ser mais fácil do que se parece. Basta imaginar uma coisa: Qual será o resultado da junção entre aquele que é considerado o maior cantor do século 20 com aquele que é considerado um dos maiores músicos da música popular brasileira e, por que não, da música mundial?
É lógico que não pode ser menos que extraordinário. Basta olhar o talento e a história desses dois ícones da música que você não terá dúvidas. E este encontro aconteceu. Depois do enorme sucesso que a Bossa Nova fez no decorrer dos anos 60, inclusive tomando conta da terra do Tio Sam, Tom Jobim começou a ter projeção entre os principais músicos da época. É claro, o maestro da nossa música popular merecia todo o reconhecimento. Basta ouvir e perceber a enorme riqueza musical em suas composições. Melodias impressionantes com harmonias que vão muito além dos acordes dissonantes. Mas, deixando o papo de músico pra lá. Diz a história que Tom estava num bar em Ipanema, o mesmo bar que ele e Vinícius costumavam observar aquela famosa garota que passavam linda e cheia de graça a caminho do mar, quando derrepente o telefone tocou, e era uma ligação para Tom. Do outro lado da linha ninguém mais do que Frank Sinatra, o chamado “The Voice” - perfeito apelido, dizia a Tom que queria gravar um disco com canções feitas pelo próprio Antônio Brasileiro. A resposta de Tom Jobim foi imediata. Logicamente, não havia de recusar tal convite. O encontro entre os dois rendeu um disco, chamado de Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim, lançado em 1967. O disco traz dez canções, sendo que sete são de Tom Jobim. As interpretações de Sinatra ficaram excelentes, logicamente, e apesar da presença dele, você vê a Bossa Nova presente no disco. E não teria que ser diferente. As músicas foram passadas para o idioma norte americano. O clássico The Girl From Ipanema (Garota de Ipanema), composição de Tom e Vinícius, teve a letra reescrita por Norman Gimbel e foi lançada no disco Getz/Gilberto, interpretada inicialmente por Astrud Gilberto e João Gilberto em 1963. Corcovado virou Quiet Night of Quiet Stars, a música Inútil Paisagem virou If You Never Come to Me e a música Insensatez virou How Insensitive. De todas as músicas, a minha favorita é a belíssima Dindi. Não tenho como explicar aqui a beleza dessa música, e até me arrisco a dizer que prefiro a versão em inglês. Heresias à parte, durante a gravação do disco músicas além das que foram lançadas no álbum de 67 foram gravadas. Com exemplo dos Clássicos Off Key (Desafinado), Drinking Water (Água de Beber), One Note Samba (Samba de Uma Nota Só), Triste, Wave e outras mais. Em 1979 saiu aqui no Brasil uma edição especial com todas as gravações, inclusive mais duas que nunca saíram em discos anteriores. São as faixas Bonita, escrita por Jobim, e Sabiá, parceria de Chico Buarque e Tom Jobim que ganhou o Festival Internacional da Canção (FIC), em 1968.
Esse encontro rendeu uma participação em um programa no horário nobre da televisão dos EUA, que segundo a lenda, não houve ensaio para a apresentação. Graças a WEB, é possível assistir esse momento. Frank Sinatra e Tom Jobim cantando The Girl From Ipanema. Tom com seu jeitinho brasileiro, sentado no banquinho com seu violão e sua perna cruzada. Reparem bem na maneira como Sinatra interpreta a canção, olhando a letra escrita no chão do estúdio, com o seu cigarrinho na mão e seu jeito inconfundível de cantar.