quinta-feira, 5 de março de 2009

Conversa de botequim

Dia desses, nas famosas conversas de botequim, o assunto em pauta foi música brasileira, suas composições e seus compositores. Dessa discussão saiu o questionamento sobre quem foi o maior compositor da música popular brasileira. Tirando a parte lírica, falando mais da parte musical, instrumental. E foi quase unânime a escolha de Tom Jobim. Eu, como tenho muito cuidado ao falar desse assunto, ainda mais com um questionamento desses, fiquei em cima do muro. Não quis responder. Ou melhor, não soube.
Não que eu não ache que Tom Jobim mereça esse título. Pelo contrário, é um dos meus favoritos, e é totalmente aceitável a escolha dele para o posto, diante de sua genialidade musical. A forma como Tom implantou um tipo de música sofisticada no gênero popular é de se tirar o chapéu. A Bossa Nova foi uma grande evolução musical no Brasil, incontestavelmente.
Mas, logo veio o seguinte questionamento: como deixar de fora um Pixinguinha, Jacob do Bandolin, Ernesto Nazareth, Edu Lobo, sem falar nos poetas e letristas que também sabiam e sabem fazer a parte musical muito bem, como Cartola, Chico Buarque, Noel Rosa, Caetano Veloso, Gilberto Gil, e por aí vai?
Depois desse pensamento veio um leve sentimento de orgulho por não saber responder quem foi ou quem é o nosso maior compositor. É quase impossível escolher um entre o time de feras da MPB. É grande a riqueza daquilo que podemos chamar de boa música brasileira. Pena que poucos conseguem enxergar isso.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Meu Tempo é Hoje - II

Mais sambista que nunca, ando profundamente mergulhado nos discos e tudo mais que contém Samba para se ouvir. O ritmo, que antes me despertava pouco interesse, e, consequentemente (sem trema, de acordo com a nova gramática da nossa língua), não havia conhecimento bruto sobre os grandes sambistas, como Noel Rosa, Cartola, Nelson Cavaquinho, Paulinho da Viola. Enfim, aqueles que realmente valem a pena ouvir. Pois bem. Agora o Samba não me sai da cabeça. É toda hora cantando algo, assobiando, murmurando, tudo que me faça lembrar o quanto é bom ouvir-lo.

Recentemente tive a oportunidade de assistir o documentário Meu Tempo é Hoje (2004), que traça um perfil do cantor, compositor e sambista Paulinho da Viola.

O documentário fala da trajetória de Paulinho, que desde pequeno viveu em um ambiente musical. Seu pai, César Faria, era violonista do grupo Época de Ouro, que tinha como estrela maior o fenômeno Jacob do Bandolin. Acostumado a visitas de, além de Jacob, nomes como Pixinguinha, Altamiro Carrilho e outros grandes chorões, não havia outro caminho a seguir se não fosse a música.

O grande barato do documentário é que além da música, mostra o lado pessoal do Paulinho, sua família e o gosto pela marcenaria, que, segundo o próprio artista, seria a profissão dele, caso não fosse músico. Além das participações interessantíssimas de Marisa Monte, Zeca Pagodinho e seu grande parceiro, o compositor Elton Medeiros.

E, logicamente, a Portela não fica de fora desse registro. Todo a história dele dentro da escola, com direito a várias rodas de Samba e a presença de grandes nomes da Velha Guarda da Portela. A escola de samba faz parte da vida de Paulinho da Viola, assim dito nos versos de Foi Um Rio que Passou em Minha Vida.

Enfim, o documentário é uma viajem no mundo do Samba de Paulinho da Viola. Mundo que eu me sinto a vontade e faço questão de fazer parte.

sábado, 3 de janeiro de 2009

2009 - Meu tempo é hoje

Neste 2009, o gosto pelo Choro, pelo Samba e uma nova paixão, o Cavaquinho, abro este novo ano aqui no blog com o cara que resume bastante tudo que eu disse anteriormente.



terça-feira, 25 de novembro de 2008

Sou - Little Joy

Ouvindo os trabalhos individuais de Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante, não evitei uma comparação entre os dois álbuns. Não uma comparação pra dizer quem se saiu melhor, mas apenas analisando o projeto dos dois hermanos.

O Sou, de Camelo, eu recebi bem desde a primeira ouvida. A banda que o acompanha, o Hurtmold, é excelente e faz uma sonoridade interessantíssima, principalmente no arranjo das guitarras. A faixa Mais Tarde, sexta do disco, é a minha favorita devido a esse fator.
Eu, sinceramente, acho o Marcelo Camelo mais compositor que o Amarante, sobretudo no que diz respeito à parte melódica. Em todo esse tempo de Los Hermanos ele já mostrou isso. Como exemplo as músicas Dois Barcos e Sapato Novo - ambas fazem parte do álbum 4. Melodias bonitas, dignas de um bom compositor. E, nesse trabalho novo, Camelo mostra isso de forma mais acentuada nas faixas Théo e a Gaivota, Doce Solidão e na belíssima Passeando.


Mas, o disco do Amarante me agradou mais. Acompanhado do baterista brasileiro do The Strokes, Fabrizio Moretti, e a cantora Binki Shapiro, o Little Joy me trouxe um sentimento mais agradável, quase que saudosista. Amarante saiu-se bem cantando em inglês, com uma voz que até lembra o Julian Casablanca, vocalista do Strokes. Quanto as canções, o que mais gostei foi o ritmo meio jovem guarda de Brand New Start, da voz infanto-juvenil da Binki Shapiro na faixa Unattainable (só pra competir com a Mallu Magalhães) e o estilo rock moderno da faixa Keep Me in Mind.

Mesmo que aqueles fanáticos por Los Hermanos, por algum tipo de implicância, não tenham gostado do Sou ou do Little joy, os dois trabalhos valem uma recomendação, principalmente neste tempo chuvoso, onde a melhor opção é ficar em casa, com raiva da chuva, e ouvindo toda a biblioteca do Windows Media Player.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Jards Macalé (1972)

Há tempos venho querendo escrever sobre Jards Macalé, grande músico e compositor, que acompanhou de perto o Tropicalismo, principalmente junto a Caetano Veloso e Gal Costa, produzindo e arranjando álbuns dos dois artistas. Jards participou da produção e nos arranjos de um dos melhores disco do Caetano, o Transa, de 1972, onde, a pedidos de Caetano, Macalé foi até Londres, na época do exílio do compositor baiano, para acompanha-lo na composição do disco. Além do Transa, Jards Macalé também ajudou nos arranjos do álbum LeGal, da Gal Costa, de 1970, além de ter produzido o show da intéprete baiana intitulado Meu Nome é Gal.

Cheguei até Jards Macalé através de um amigo, há alguns anos atrás, quando ele me recomendou ouvir o primeiro álbum de Macalé, intitulados Jards Macalé, de 1972.


A primeira coisa que percebi no álbum foi a proximidade com a sonoridade do Transa, de Caetano Veloso. Um violão Folk, acompanhado de uma bateria e um baixo. Uma banda compacta e crua, além de fazer uma mesclagem entre o Rock, Samba, Bossa Nova, faz com que o disco não tenha um conceito definitivo.

Farinha do Desprezo abre o disco, mostrando a característica Folk a qual me referi anteriormente, misturado com um Samba-Jazz. A segunda faixa é Vapor Barato, cantada de uma forma estranha, transmitindo um sentimento de sofrimento.

Destaco a música Mal Secreto, a minha favorita do álbum, e que ficou perfeita na interpretação da Gal Costa no álbum Fa-tal. Faixa que traz uma melancolia característica de Jards Macalé. Além de Mal Secreto, tem a clássica Let’s Play That, que traz a famosa frase do poeta tropicalista Torquato Neto, que diz: "vai, bicho, desafiar o coro dos contentes".

Apesar de ser pouco conhecido entre a maioria das pessoas, Jards é um cara de primeira linha da MPB, que ao lado de artistas como Sérgio Sampaio, Belchior e outros, faz parte do chamado grupo dos malditos da MPB. Vale a pena conferir o disco de 1972 e, com certeza, o resto da obra de Jards.

Fui!

terça-feira, 30 de setembro de 2008


You Don't Know Me at All

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Baden

Primeiramente, peço desculpas aos leitores do Ouvido Absoluto, por estar ausente por algum tempo. O cidadão aqui agora é trabalhador e, infelizmente, não tenho mais tanto tempo para me dedicar ao blog. Prometo me esforçar mais.
É com muita responsabilidade que escrevo aqui sobre este músico, que, incontestavelmente, foi um dos melhores que a música brasileira já conheceu. Baden Powell é sinônimo de violão. Aliás, ele mais do que isso. Baden Powell é um violão. Ele mesmo disse que o instrumento era a extensão do braço dele. Há como duvidar?
Baden também era um grande compositor, e teve como grande parceiro o poeta Vinícius de Moraes. Parceria que rendeu ótimas composições como Berimbau, Samba da Benção, Formosa e tantas outras. O disco Os Afro-sambas – Baden & Vinícius, de 1966, é clássico da MPB.

Tempos atrás fiz o download de um álbum excelente, que mostra o grande mestre do violão brasileiro ao vivo, com uma performance que te deixa sem ar, em meios a tantos dedilhados. Trata-se do álbum Ao Vivo no Teatro Santa Rosa, também de 1966.


A forma como Baden toca, chega a confundir a cabeça daqueles que tentam entender o que é seu violão. A interpretação de O Astronauta, outra parceria com Vinícius, é sensacional, uma das melhores do disco. Sem falar na quinta faixa, Berimbau, intensa e veloz, que deixa a impressão que Banden Powell tem mais que cinco dedos em uma mão – eu não duvido.
É um disco que já faz parte da minha listinha de mais ouvidos e através dele, resolvi conhecer profundamente a obra deste grande violonista.

Só pra ressaltar, tive a oportunidade de assistir – boquiaberto - a apresentação de Marcel Powell, filho de Baden, no Circuito de Jazz da Estação Porto. O que posso dizer é que o sobrenome que Marcel carrega, faz jus a toda a sua habilidade no violão. Ele realmente é “filho do cara”.Clique AQUI para fazer o download do disco Ao Vivo no Teatro em Santa Rosa. No blog Um que tenha, você também pode baixar tantos outros disco do mestre.